sábado, 11 de fevereiro de 2017

Produzir na escassez

Um dos grandes desafios da agricultura familiar é conseguir viver e produzir no campo nesse período de estiagem prolongada, principalmente sem políticas públicas de convivência no Semiárido. Produzir com a escassez de água, sem assistência técnica e com pouca estrutura para o desenvolvimento da produção é um grande desafio para agricultoras e agricultores no sertão alagoano. Com todas as dificuldades Francisco de Assis da Silva, conhecido como Preguinho, na comunidade Olho D´Água do Negro em Maravilha-AL, produz sem agrotóxico o alface, coentro, couve, pimentão, cebolinha, pimentinha, rúcula, além de manter o aviário, o apiário e a criação de ovelhas. Parte dessa produção ele comercializa e garante alimento de qualidade na mesa de outras famílias. “não tenho assistência técnica do poder público, as orientações que recebo são do Cdecma. Não conto com apoio para desenvolver a produção e estou conseguindo produzir com muita dificuldade. Se não fosse a cisterna calçadão não conseguia produzir, é a cisterna que me tira do sufoco. Para viver nesse momento de estiagem o agricultor precisa de políticas públicas e a gente não tem”, disse Francisco de Assis. Garantir políticas para uma vida digna das famílias é um dever do Estado, e um dever da sociedade de não ignorar a falta dessas politicas que traz dor, fome, doença e outros sofrimentos para quem mora no campo. O agricultor Francisco de Assis ainda resiste, porém muitos já não têm como produzir. Não adianta culpar a estiagem, e sim a falta de respeito e de políticas públicas para as mulheres e os homens que sobrevivem no campo. Elessandra Araújo

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Ribeirinhos protestam contra o projeto de usina nuclear

Quanto mais o Velho Chico agoniza, quanto mais o povo ribeirinho grita mostrando os impactos negativos que esse bravo rio vem sofrendo, mais os que se dizem “representantes do povo” e que são responsáveis pela revitalização do rio, ignoram a voz do povo. Quando essas pessoas irão entender que os recursos naturais são escassos, e quanto mais esses recursos são degradados será difícil manter a vida do ser humano na Terra, porque nós somos parte da natureza e integramos esse sistema. Por que estou fazendo esses questionamentos? Por que se você fizer um passeio no leito do rio e chegar até a Foz verá o que o rio São Francisco vem sofrendo. Porém, o Velho Chico poderá sofrer mais um impacto com o projeto que existe para construção de usina nuclear no Baixo São Francisco. Por isso, no período de 01 a 04 de dezembro moradores da comunidade de Bonsucesso –SE, e outras comunidades, o Conselho da Pastoral dos Pescadores (CPP) e o Movimento de Pescadores e Pescadoras Artesanais (MPP) que celebraram as Santas Missões Populares na Paróquia Nossa Senhora da Conceição em Poço Redondo – SE enceraram a programação com um ato contra uma possível construção de uma usina nuclear na região do Baixo São Francisco. “não podemos aceitar mais um projeto de grande impacto, não só para o meio ambiente, mas também para todo povo daquela região. E uma empresa japonesa já visitou a área”, disse Quitéria Gomes, que integra o grupo da Articulação do Baixo São Francisco. Antes do ato eles realizaram uma reunião para discutir sobre os problemas ambientais, depois seguiram pelas ruas do povoado com destino à margem do rio, onde foi realizada a celebração de uma missa, com o pároco local Mário César, contando também com a presença de Frei Enoque e Frei Roberto. Usina nuclear São inúmeras as consequências negativas que uma usina nuclear pode trazer para toda forma de vida. Basta fazer uma breve pesquisa para descobrir que esse tipo de empreendimento poderá trazer benefícios econômicos para poucos, mas destruição para muitos. É só recordar o triste acidente que ocorreu em 1986 na usina soviética de Chernobyl. Existem outras formas de energia limpa e que os custos ambiental, social e econômico serão melhor para humanidade. Elessandra Araújo

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Rio que agoniza

Rio São Francisco na cidade de Penedo sofre com os impactos negativos Ao longo da história, o rio São Francisco sofre inúmeros impactos negativos desde a nascente até a foz. São impactos que poderiam ser evitados como o assoreamento, os resíduos sólidos e liquido lançados no leito do rio, os desvios por meio de canais, as barragens etc. Esses impactos causados por ações antrópica geram outros problemas de ordem ambiental, social e econômica. Mas, o mais triste nessa história é que o Velho Chico está morrendo e os que dizem “representantes do povo” não enxergam. Onde estão sendo desenvolvidas as ações de revitalização do Velho Chico? Porque o cenário apresentado, principalmente no Baixo São Francisco mostra que o rio está agonizando. Em muitos trechos o rio secou. Para fazer grandes obras de desvio da água do rio, os que se dizem “representantes o povo” tem recurso, mas para salvar o Velho Chico esses recursos são escassos e vem a passo de tartaruga. Quando vem! Não se deixe enganar quando os grandes meios de comunicação de massa de forma tendenciosa informar que a diminuição da água é ocasionada pela estiagem. É evidente que a estiagem prolongada interfere no volume de água do Velho Chico. Mas, o problema no Velho Chico é a falta de políticas públicas com ações integradas nas três esferas de governo Municipal, Estadual e Federal. É urgente que os afluentes do São Francisco sejam revitalizados, o saneamento básico, o reflorestamento das margens do rio, a educação ambiental entre outras ações sejam implementadas com resultados de curto, médio e longo prazo. As pesquisas que apontam ações para revitalização do Velho Chico foram realizadas por pesquisadores responsáveis, porém estão engavetadas. Falta querer! Um querer por parte dos que se dizem “representante do povo” porque os ribeirinhos e movimentos sociais que defendem o Velho Chico mostram o cenário do rio, gritam, pesquisadores apresentam os impactos ao rio e solução, no entanto, o grito desse povo é ignorado, assim como a agonia do Velho Chico. Por quanto tempo esse benéfico rio suportará tantos impactos negativos? O que será do povo que depende da água do Velho Chico? Elessandra Arújo

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

A comunicação como direito

Nessa terça feira (23), estudantes do Instituto Federal de Alagoas (IFAL) e os estudantes do curso preparatório para o IFAL participaram na sala do IFAL de uma Roda de Conversa sobre a Comunicação como Direito. Direito que está garantido na Constituição Federativa do Brasil de 1988, porém o povo brasileiro tem esse direito negado com o monopólio, oligopólio dos meios de comunicação de massa, onde cerca de 11 famílias detém os principais meios de comunicação no país e dentre elas deputados e senadores. Na reunião foi discutido sobre o papel dos meios de comunicação que não atendem aos interesses sociais e sim de políticos e dos empresários como meio comercial. A Constituição no Capítulo V fala sobre a Comunicação Social do Art. 220 a 224. Onde fica determinado que os programas devem ser educativos, artísticos, culturais e informativos e estabelece a regionalização, no entanto, os meios de comunicação de rádio e TV não cumprem aos princípios constitucional . Algo preocupante porque na Roda de Conversa a maioria de jovens adolescentes do cursinho preparatório falou que passam de 4h até 10h diariamente assistindo televisão. É para se questionar que sociedade está sendo formada, uma vez que a maioria da população dedica uma boa parte do tempo na frente da babá eletrônica, assistindo uma programação que não atende aos princípios educativos e da regionalização. Nega-se o pluralismo e a liberdade de expressão. Liberdade de expressão que é um direito garantido na Declaração Universal dos Direitos Humanos no Artigo 19° “Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e idéias por qualquer meio de expressão”. Segundo o estudante do IFAL, Anderson Soares Santos “a comunicação é um meio muito importante que os políticos utilizam para fazerem a sua imagem na sociedade, e que só ocorre comunicação quando se tem resposta, no caso dos políticos os votos. A luta pela democratização dos meios de comunicação é enorme, pois é um direito que foi roubado. Queremos uma comunicação em que as informações sejam verificadas e transmitidas e que não manipule os cidadãos. Democratize democratize já! Democratize a comunicação!” Comunicação como direito A Comunicação como Direito faz parte da luta do Fórum Nacional pela Democratização dos Meios de Comunicação (FNDC) http://www.fndc.org.br/, que lançou uma campanha Por uma lei da Mídia Democrática. Para assinar acesse o site do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC). Clique em Campanha conheça a proposta de lei e assine. Eline Souza/Cdecma

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Justiça determina desocupação do IFAL

Estudantes do Instituto Federal de Alagoas em Santana do Ipanema/AL são obrigados a desocuparem as instalações do prédio sob penalidade de pagar multa individual diária de R$ 500,00 (quinhentos reais). Eles ocuparam o prédio de forma pacífica e com respeito ao patrimônio físico, para protestar contra a PEC 241/55 que irá congelar gastos com a saúde, educação, direitos sociais, infraestrutura por um período de 20 anos, contra a Reforma do Ensino Médio e pela Democracia. Mas, no Mandado de Reintegração de Posse e Citação a juíza federal da 11º Vara, Camila Monteiro Pullin Milan determina: “Importa frisar aqui que não cabe a este juízo adentrar nas discussões políticas que motivaram as manifestações, deliberando a respeito do mérito do protesto ou de sua legitimidade. Nesta Seara, compete apenas ao juízo resguardar o patrimônio e o serviço públicos, protegendo a incolumidade física do imóvel contra eventuais depredações ou prejuízos que possam a vir a ocorrer e preservando o regular funcionamento da instituição”. Determina ainda: “Ante o exposto, DEFIRO A LIMINAR para determinar em favor do IFAL a reintegração de posse de seu campus em Santana do Ipanema/AL, o qual deve ser imediatamente desocupado pelo grupo que ali se encontra, sob pena de aplicação de multa individual diária, no valor de R$ 500,00 (quinhentos reais)”. Em resposta a ordem judicial um dos alunos ocupantes disse: “Desde o dia da ocupação passei a valorizar mais minhas formas de protestos e lutas, contra as indignações na política brasileira. Como essa foi nossa primeira vez em uma ocupação, passamos a aprender juntos, criamos forças e superamos os problemas e dificuldades impostos a nós ocupantes. A cada dia que se passava o nosso movimento criava mais forças, e passamos a ser destemidos. Buscamos saber mais sobre nossos direitos como ocupantes, para que nada e ninguém difamem nossa imagem, quanto estudante em um movimento legítimo. Diariamente eram impostas barreiras, mas com sabedoria e paciência passamos a saber lidar, aprendemos muitos assuntos sobre política, nesses 40 dias de ocupação. Durante a ocupação passamos a desenvolver, trazer palestras e atividades. Prezamos pela nossa instituição e sempre fomos cuidadosos para que nada ocorresse de forma contraditória ao movimento (já que só eram imposto as ocupações a imagem de vandalismo, baderna e destruição). Infelizmente hoje dia 23 de novembro chegou a carta de reintegração de posse, várias mentiras estavam impostas no mandato de reintegração, mas como o sistema em todo é corrupto, não existiu possibilidade de lutarmos contra as autoridades”. Os jovens estão tristes e indignados, mas decidiram acatar a ordem da justiça e desocupar o prédio do IFAL, porém estão decididos a continuarem defendendo a Democracia. Elessandra Araújo

Feira reúne saberes e sabores do Semiárido, durante o IX EnconASA

Por Nelzilane Oliveira - comunicadora popular da ACB Abertura da feira de saberes e sabores do IX EnconASA conta com diversas apresentações culturais | Foto: Mailson Pedro “A feira expressa a nossa cara, expressa nossa maneira de inventar e reinventar. De dizer que somos capazes, por toda dificuldade que passamos e vivemos”. Foi assim que a agricultora membro da Rede Xique-Xique, Francisca Eliane, conhecida por Neneide, definiu os espaços das feiras agroecológicas e livres que permeiam a cultura dos povos do semiárido brasileiro, no evento de abertura da feira de saberes e sabores do IX EnconASA. Ao final de sua fala, neneide convidou os presentes a conhecerem a feira. “Visitem as barracas, vejam a diversidade que temos tanto da economia solidária como da agroecologia. Como Rede Xique Xique da agricultura familiar, como de nós mulheres”. Ainda na abertura da feira, a delegação do Ceará apresentou uma ciranda. Segurados na barra de uma saia gigante, tecida como as colchas de retalhos, as pessoas dançaram e rodaram expressando a alegria que as feiras possuem. O espaço conta com barracas que expõem produtos como artesanato, doces, cachaças artesanais, queijos, mudas de plantas e etc. A feira conta inclusive com a exposição do fogão solar - modelo de energia renovável – trazido pela delegação de Minas Gerais. Outro estande que inovou foi o de Natal no Rio Grande do Norte que trouxe práticas de permacultura. “Não conhecia o EnconASA, consequentemente procurei não criar muita expectativa em relação a feirinha. Tô achando muito massa, é muito bom ver essas experiências e tá inserido nesse meio. A importância [desse evento] eu acho que é justamente esse reconhecimento, e consequentemente este fortalecimento que acontece. A gente de Natal tá aqui do lado do pessoal de Mossoró e fazemos uma conexão a nível de estado, e ao mesmo tempo temos o contato com o pessoal de Minas Gerais e os outros estados”, afirma Juliano Petrovich que faz parte da delegação da capital potiguar. A feira conta com artesanato dos dez estados do Semiárido | Foto: Nelzilane Oliveira As delegações estão animadas e empolgadas com a feira. A satisfação em poder estar neste espaço de troca experiências tem sido observada tanto por quem está no evento, quanto por quem está expondo produtos. Assim nos relata Rita Maria de Oliveira, Tururu – CE. “É o primeiro ano que participo do EnconASA, acho muito importante as feiras acontecerem porquê a gente tá divulgando nossos produtos. A feira é uma maneira de sobrevivência, é uma economia a mais na vida da gente. Seria muito bom se acontecessem em cada encontro, seria o ideal mesmo, seriam um forma de fazer a economia solidária na prática”, diz a agricultora e feirante agroecológica, que trouxe doce-de-caju, bolos e caju-ameixa. As trocas de saberes e sabores na feira do evento permitem que os participantes possam conhecer um pouco da cultura de cada estado do Semiárido. Este é também um espaço de comunicação, visto que os olhares e aprendizados de quem participa serão levados e contado em suas comunidades, quando eles e elas voltarem aos seus territórios. Em torno deste cenário, “a feira do EnconASA e a feira como um todo é sempre um momento muito rico de troca de experiências de saberes de um dos conhecimentos populares muitas vezes inacessíveis porque são saberes comunitários. Por sermos de vários estados a gente tem acesso aquelas comunidades mais distantes então você